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Resenhas

ReviewReviewReviewReviewReviewEnsaio sobre a cegueiraJan 30, '07 8:58 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:José Samago
Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago.
Por Daniel Fujisaka

O romance de Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, apresenta uma crítica contundente ao homem contemporâneo, a sua individualidade e aos seus sistemas sociológicos. Saramago reduz a experiência humana ao seu mais básico instinto e trata de tentar encontrar o que seria realmente o diferencial da humanidade em relação ao animal comum. Assim o romance faz um apelo para a humanização da humanidade através de uma narrativa de desconstrução. O autor leva seu leitor a uma viagem fantástica e insólita com a firme intenção de chocar, levantando questões existenciais filosóficas. A cegueira branca e o seguinte enclausuramento dos personagens revelam a tentativa de universalização do escritor. Como se diz numa das falas: "o mundo está aqui dentro".
A cegueira branca, portanto, não é cegueira real. A cegueira branca é um despir de máscaras, que servem ao homem e mascaram sua verdadeira cegueira: a desumanização. Ao despir-se, a humanidade se mostra quase animalesca. A progressão nauseante da narrativa insiste em explorar os limites das necessidades e, com isso, os limites da racionalidade humana.
Saramago, ao não localizar o tempo, nem o espaço, universaliza a saga e deixa o leitor totalmente ligado à trama. Esse mecanismo literário é significativo, visto o intento de análise da existência humana como um todo. O leitor moderno globalizado terá nessa leitura um encontro consigo mesmo e com o outro.

Características do homem pós-moderno.

Prossigamos para a identificação de características do homem pós-moderno:
- Ele é superficial. O sistema atual de convivência social é engano. O sistema é alienante, pois afasta a humanidade de suas afeições mais honestas e profundas.
- Ele é individualista. O homem contemporâneo chegou ao seu mais extremo nível de individualismo. O outro não é relevante para a construção da individualidade. O outro é somente um instrumento a serviço do individualismo.
- O governo é apenas uma marionete no jogo de poder dos mais fortes. A minoria permanece alienada e marginalizada, incapaz de obter a decência mínima de convivência.
- Ele está sem identidade. Vive um momento de crise. As velhas identidades já não o definem. Os paradigmas humanistas do Iluminismo perderam sua força, de modo que, sem a apresentação de novas fontes identificadoras, o homem pós moderno esta à beira do desespero.
- Ele é um ser carente de relações profundas e verdadeiras. No meio da desumanização, Saramago apresenta uma luz no final do túnel. Os protagonistas que resolvem permanecer juntos experimentam momentos de profunda fraternidade e compaixão.
- Ele é um ser que está a procura de respostas para a sua crise de identidade. Os personagens, ao saírem do manicômio, procuram suas próprias casas e parentes. Trata-se de uma imagem que aponta para essa redescoberta de sua particularidade e identidade.
- Ele é um ser inserido num contexto urbano problemático. Em um determinado momento da trama, os personagens cogitam sair para o campo, fugindo da cidade, que no romance não é um lugar propício para a sobrevivência. No campo, encontrariam os recursos naturais necessários. A cidade aqui aparece como um lugar inóspito. As grandes concentrações como as megalópoles permanecem um problema social nos dias de hoje. Como viver a totalidade da humanidade nos grandes centros é o questionamento do autor.
- Ele é um ser em construção. O existencialismo influencia o romance. Não há essência humana que garanta um fim civilizador e bom. As escolhas da humanidade na direção da civilidade podem ser catastróficas.
- Ele não é mais um ser positivo. Esse processo de desumanização mostra um certo pessimismo com a humanidade. Uma certa negatividade e desconfiança ronda todo o romance. Não chega ao desespero sem volta de Kafka, em a Metamorfose, que possui traços de muita semelhança como o Ensaio sobre a Cegueira, mas não deixa de apresentar o aspecto da negatividade da existência humana.
- Contudo, Saramago, no final do romance, revela-se ainda um humanista. O romance lampeja momentos de pureza das relações, como por exemplo, a compaixão da moça de óculos escuros com o velho da venda preta. A fé do romance continua nos próprios recursos humanos. É como se o autor dissesse. A humanidade deve passar por uma crise para se descobrir novamente boa e humana. Um tipo de retorno ao otimismo Renascentista.

Antídotos e pontos de contatos com o Evangelho

Antídotos:
Nesse romance, Saramago identifica o problema humano. Mostra-se pessimista com os atuais rumos da humanidade, fazendo um alerta claro e sombrio. A crítica à religião se mostra evidente no momento em que ele apresenta a igreja com todos os seus santos vendados, ou seja, cegos. A reação para muitos que estavam alojados na igreja, como se esperando de Deus seu último suspiro de esperança, foi o total desespero, pois perceberam naquela situação que as forças divinas também estavam cegas à aquela realidade.
Saramago produz uma solução sem transcendência. Sua solução para o problema da desumanização da humanidade esta na própria redescoberta da humanidade, enquanto seres capazes de racionalizarem a vida em direção à solidariedade. No fundo, Saramago propõe um discurso dos filósofos racionalistas do séc XVII, ou seja, o resgate da racionalidade como ponto de distinção da humanidade e como fonte produtora da vida humana como um projeto razoável. É um discurso humanista e totalmente imanente na sua própria realidade. Não existe espaço para o mundo fora da realidade humana.


Pontos de Contatos:
- O Evangelho parte da negatividade do homem. O Evangelho preza pela honesta de visão do homem como maltrapilho aos seus próprios olhos. A humildade, portanto, é a porta de entrada para a fé que levará ao Reino, porque esta somente será concedida àqueles que reconhecerem sua condição perdida. Nesse romance, a humanidade é apresentada perdida em seus próprios esforços civilizatórios. A descrença nas falsas promessas de humanização causam um pessimismo declarado ao discurso positivista dos últimos séculos.
- O Evangelho também apresenta a cegueira verdadeira contra a falsa. Jesus rejeita os orgulhosos, mas dá graças ao humilde, esconde o mistério dos poderosos e os revela aos pequenos. Enfim, a mensagem do Evangelho caminha na direção oposto daqueles que optam pelo caminho do poder.
- O Evangelho é a mensagem da re-conexão profunda dos relacionamentos. É mensagem anti-individualista por excelência, tendo seu exemplo máximo no próprio Deus que 'não usurpou o ser igual a Deus, mas a Si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo...'; O Evangelho também é a conexão do homem com o outro. É partir do amor que o homem é conquistado e conquista suas relações mais profundas e verdadeiras.

ReviewReviewReviewReviewReviewLeituras do 1o. Semestre 2006Oct 16, '06 6:53 PM
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Category:Books
Genre: Other
Author:diversos
* O Evangelho Maltrapilho, Brennam Menning: comovente, sincero e honesto. Manning expõe a sua vida cristã com vivacidade, sempre nos convidando a nos abandonar nos braços do Pai, como simples maltrapilhos, mas totalmente amados e aceitos. Libertador.

* Mosaico do Presente, Henri Nouwen: Um antídoto contra a ansiedade e incapacidade de viver o presente. Também um constante convite a perceber a presença de Deus no aqui e agora, vivendo em gratidão.

* Teologia do Cotidiano, Rubem Alves: Um livrinho provocante, principalmente para nós que somos cristãos tradicionais. A verdade aparece numa teologia do cotidiano, na presença do divino nas pequenas coisas. Serviu como um alerta contra a tentação da religiosidade formal e institucionalizada.

* Teologia da Vida Cristã, Richard Lovelace: Esse livro foi presente do Dr. Russell Shedd, quando confessei-lhe a minha dificuldade em discernir um avivamento barulhento do verdadeiro e consistente. Lovelace tem um discurso centrado na profundeza da verdade do evangelho. Uma análise comprometida dos movimentos carismáticos e pentescostais, apresentando sinais de verdadeira e falsa espiritualidade.

* Preaching in a post-modern city, artigo de Tim Keller: Ajudou-me muito nas minhas pregações. Alertou-me para o perigo do moralismo e do relativismo. Apresentou-me um caminho alternativo consistente.

* Religious Affections, Jonathan Edwards: Um clássico. Reli juntamente com o livro do Lovelace. Tem me ajudado a buscar um avivamento verdadeiro. Uma reflexão entre vontade, intencionalidade (affections), representação, responsabilidade e honestidade.

* Em Busca da Felicidade, James Houston: Um manual de espiritualidade cristã. Um dos livros de sua triologia. Houston expões os caminhos que a cultura tem apresentado para a busca felicidade. Mostra o seu engano e apresenta o plano de Deus que ficou condensando em uma palavra no meu coração e mente: envolvimento. A felicidade está no envolvimento mais profundo com Deus e com as pessoas. Esse envolvimento com Deus se dá a oração e na Palavra e é vivido na comunidade.

* Ética, Baruch Espinosa: filosófo rotulado como o doutrinador do panteísmo. Apresenta uma forte argumentação contra o cristianismo dogmático do séc xvii. Compreensão do pensamento de Espinosa sobre a questão de Deus como causa de si. Examina Deus como substância única e imanente em tudo. O texto partirá da análise causal dos preconceitos e, consecutivamente, a criação de um Deus antropomorfizado. Em seguida, partirá para o entendimento da idéia de Deus. Ajudou-me a conhecer um dos principais argumentos da modernidade contra o cristianismo. Entendi a busca de Espinosa pela felicidade. A religião cristã de seu contexto contribuiu imensamente para a formatação desse deus cristão caricaturizado epinosano, a saber um deus irado, volúvel, sisudo e manipulador.


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